terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ah!

Se eu pudesse sair correndo pelas ruas, mesmo sem ter rumo.
Sem precisar voltar ou chegar em algum lugar.
Se o céu permanecesse azul claro por todo o dia.
E eu tivesse uma bicicleta cor de rosa cheia de fitilhos coloridos pendurados nela.
Sair correndo de patins em uma cidade onde não houvessem carros ou motos.
Se eu tivesse coragem de nas costas colocar uma mochila bem pesada com menos da metade das minhas coisas.
E fosse por ai, sem medo de amar, aquilo ou aqueles.
Escapasse das conversas cansadas.
E pudesse viver de escrever aquilo que meu coração diz.
Colorir muros com as cores mais simples.
Sonhar verdadeiramente acordada.
E escutar o som dos pássaros perto de mim.
Se eu pudesse chorar pra fora o que chora agora por dentro.
Se eu não tivesse medo de ser feliz.
Se as pessoas ficassem sempre perto de mim.
Se eu pudesse ser eu, em todos os momentos.
Ah.

Encantamentos


Obrigo-me a dormir ao menos até que toque o despertador, vou de um lado para o outro.
Uma noite inteira de sonhos revelam-me aquilo que não quero deixar que aconteça;
um corpo, uma boca se mostram.
A cabeça encostada na pia do banheiro e os dedos dos pés, antes com as unhas pintadas de branco, agora com a pintura arranhada pelo chão de ontem de tarde.
A blusa lavada, mas o cheiro do forte perfume permanece. Uma presença.
Afogo-me em chocolates para curar uma possível falta. De manhã o café não permitido e o inevitável esvaziamento.
Sinto-me leve e pesada ao mesmo tempo.
Brigo comigo mesma na fila: sim e não; sim e não; talvez.
Não sei, falta-me compreensão.
Peço a Ele que eu possa compreender-me. Sentir é perigoso.
E o que será feito de hoje? Que não se faz mais necessário o encontro?
Os pensamentos aos poucos irão embora, mais um começo de semana em plena terça-feira, outras parcerias surgirão e então!
Encantarei-me novamente?
Talvez sim, talvez não. Talvez sim, talvez não.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sede.


Pessoas
Gestos
Comida
Arte
Teatro
Corpo
Poesia
Conhecimento
Descoberta
Cores
Sabores
Pele
Homem
Mulher
Gente
Música
Sonho
Mundo
Lugares
Costumes
Tradição
Sexo
Sensação
Frio
Aconchego
Beijo
Abraço
Amizade
Diversão
Paixão
Caso

Tudo.

Os 21.

A camisola preta cruzada ás costas nuas
As calcinhas lavadas no varal
As pernas agora sempre depiladas
As unhas cor de rosa grandes
A necessidade de independência gritando aos ouvidos
O desejo de novas conversas, novos ares.
O desejo por pessoas
Uma paixão ou várias
A vontade de um silêncio aparentemente impossível.
Uma nova experiência
Os cabelos metamorfoseando-se
Resolver uma autonomia ainda adormecida
A vontade de vitória
Uma sede insaciável de vida
O sexo
O cansaço da TV
Uma linguagem acadêmica se instaura
Uma visão crítica
Um desejo pelo corpo flexível
A arte solucionando angústias
A vontade de descobertas
A vontade que briga com o medo
O arriscar-se
Ah! A vontade de viver...
Apenas vinte e um.

sábado, 22 de outubro de 2011

Pina.

Me atravessam o coração raios de pensamento. Não consigo controlar um tipo de estímulo de uma talvez emoção.
Por vezes peço a Ele que me livre de racionalidades para poder sentir tudo isso que a cada dia que passa vai tomando conta de corpo, mente, vida meus.
Vejo todos aqueles corpos e é como se quizesse compreender algo que na verdade dispensa tal entendimento.
Me encanto, me choco, meu coração chora de arrepios, um êxtase instaura-se em mim.
Quero ver, pegar, ler, experimentar todo esse movimento que me hipnotiza.
Que corpos são estes? Vejo-os e não os acredito.
Impacientes, verdadeiros deuses, potência em vida.


"Sua fragilidade é também a sua força".
"Você precisa ser mais louca".
É isso ai.

sábado, 15 de outubro de 2011

Manias.


Hoje,
é tendência você ser grosseiro.
é mais fácil passar por uma pessoa e fingir que ela não é seu semelhante.
é tendência falar bobagens, apenas para pertencer a determinado clã.
é tendência você ser triste.
é preferível o mais fácil.
o eu é a tendência do hoje, fazendo com que o nós seja esquecido.
entristece-me pensar em um mundo tendencioso a maldade, ao esquecimento de humanidade.
a busca do futuro esmaga o passado e até mesmo o presente, faz esquecer o que não dá lucro, como a  caridade.
magoa-me o coração pensar num pessimismo, que na verdade, nada mais é que pura realidade.
fazem-me ver o que eu não quero e não preciso ver.
seres humanos cada vez mais irracionais e animais cada vez mais humanos.
Hoje, a tendência é o pior.
tendencia essa a qual recuso-me aceitar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eu já nem sei mais


Conflitos internos reverberam no exterior
Questões de simples resolução
Para mim, talvez não.
As vezes pareço não estar dentro de mim
Compreensões me faltam.
A vida, vez e quando parece bem simples.
A compreensão não permite calmaria.
Quero viver o hoje, muitas vezes, o amanhã não permite.
O futuro bate a porta ansiosamente
Tudo parece tão simples, Meu Deus!
Porque então simplesmente não pode o ser?
Tudo não depende de mim, talvez algo.
O que depende, faço por onde, o que não, espero.
O que fazer?
Consigo as vezes controlar vontades, ou não.
O conflito, por vezes, instaura-se.
As racionalidades exacerbadas preenchem-me corpo e espírito.
Não me convém mais imaginar pessoas. É um erro, primeiro é preciso conhecê-las. 
Sonhar acordada é o que mais tenho feito. É preciso!