domingo, 11 de setembro de 2011

Se permita.


Pensar em coisas bobas e rir sozinha.
Escutar Marisa Monte em seu Infinito Particular enquanto toma banho e sentir sensações ótimas.
Sair sem maquiagem.
Cortar os cabelos curtos sem ter medo de ficar feia.
Dizer a sua mãe eu te amo, mesmo que não seja um dia especialmente especial.
Abraçar e fazer cócegas na sua avó.
Comer chocolate sem se preocupar com um culote a mais.
Chamar um cara pra sair, mesmo que ele possa te dizer não.
Vestir uma roupa que não usa faz tempo.
Passar um final de semana inteiro escutando músicas, sem se preocupar com qual estilo você precisa gostar.
Mudar os planos de ir ao teatro para assitir um filme francês incrivelmente lindo e chorar com esse filme.
Ler livros fora de uma obrigação.
Ser feliz, mesmo estando sozinha.
Fazer coisas aparentemente bobas.
Dançar sozinha.
Dizer bobagens, pensar bobagens.
Ajudar pessoas.
Sorrir.
Viver.
Eu me permiti.

sábado, 10 de setembro de 2011

O tempo das coisas


Hoje, quando acordei, a impressão era a de ter voado por toda a noite; minhas asas doiam.
Arrumei estantes, organizei coisas que não me pertenciam e até tomei a liberdade de me desfazer de coisas que nao eram minhas.
Depois, já cansada, organizei lembranças minhas, reencontrei pessoas em miniaturas, olhei-as, mas recusei-me a vê-las.
Os livros têm seu tempo; nem sempre nos encontramos prontos para sua leitura.
As coisas têm seu tempo, para a chegada, a permanência e para a saída de nossas vidas.
Mesmo olhando coisas velhas, que não fazem mais sentido, não consigo ainda dizer adeus, e por que?
Certas coisas foram parar no lixo e outras continuam guardadas, na gaveta, dentro de uma caixa de perfume antigo.
Um dia irão embora, talvez.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Significações minhas


Aquele scarpin de veludo preto esbarrava por entre os puffs que continham pequenas esculturas, que não consegui ver. O salto era bem alto e fino.
Encontrei alguns amigos bêbados, tão gentis e alegres que nem acreditei.
Logo depois pesquisava blusas que dissessem alguma coisa a respeito do que sou e penso; ou corujas, também procurava por corujas, tenho verdadeira fascinação por elas.
Encontrei mais duas amigas e me diziam alguma coisa, mas não lembro o que.
A música do marido perfeito não sai da minha cabeça. Para, mas logo volta.
Dormi tarde e até tarde. Minha alimentação é até boa, mas há uma certa tontura em mim e uma angústia.
Diferente do pensamento, a casa está vazia.
Cada vez mais me sinto mais ligada a tudo, como se houvessem elásticos, dos quais quero me soltar e não consigo.
A casa está vazia de gente, mas os significados continuam aqui. Espero o bater na porta, o latido dos cães e um alvoroço geral. As conversas, os latidos, os remédios, as preocupações. O amor. Vida real.

domingo, 4 de setembro de 2011

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Tenho sonhado com balões.
Desenhado balões.
Pensado em balões.
Coloridos balões.
Grandes balões.
Voadores balões.
Fantásticos.
Enigmáticos sonhos.
De liberdade, deve ser.

sábado, 3 de setembro de 2011

Hoje


Tapar o ouvido é fácil.
Difícil é tapar o pensamento que não para de nos falar.
Hoje o pensamento insiste em não se calar, fala pelos cotovelos, perturbando mente, coração, pulmão e até veias que nem penso que tenho.
Causa-me cólicas pensar que tão cedo ele não se calará.
O pensamento se mostra como um filho pequeno: não te deixa dormir quando precisas; chora a noite inteira mostrando que está ali; te fala bobagens a todo momento e não há como não escutá-lo; tira você do sério; faz você pensar em desaparecer, mesmo que seja apenas por um segundo.
O pensamento enlouquece. Te faz cometer besteiras e quando o arrependimento tenta tomar seu lugar, talvez seja tarde de mais.
Ausência de pensamento é sinal de morte, pois então que venham, muitos, todos de uma vez.
Me enlouqueçam, me façam perder a razão, lotem - me de cores, sabores e o que mais tiver direito.
Preciso pensar.